MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
10/02/2009
ENTREVISTA: EDUARDO FRANCISCO
 
 
Novas Aventuras de Megaman #12
 
 
Victory
 
 
A.Y.L.A. Project
 
 
Assassin School
 
 
Nick Fury´s Howling Commandos
 
 
Warlands: Malagen´s Campaign
 
 
Executive Assistant: Iris
 
 
 



O paulistano Eduardo Francisco, ou simplesmente Edu, como é mais conhecido tanto no Brasil quanto no mercado mundial, já tem diversos trabalhos em seu currículo, aqui e no exterior.

Com certeza, um de seus trabalhos mais conhecidos é a minissérie Victory, criação de Marcelo Cassaro, que foi lançada nos Estados Unidos pela Image Comics e que ganhou inclusive uma sequência.

Agora, em 2009, Eduardo está trabalhando em parceria com David Wohl na minissérie Executive Assistant: Iris, que sairá em breve pela Aspen Comics. Conheça um pouco mais sobre a vida e obra deste talentoso artista brasileiro.


HQM: Eduardo, como você começou nos quadrinhos? O que o levou a começar a desenhar?
Eduardo Francisco:
Eu sempre apreciei a arte das HQs e Animes. Aos 17 anos, eu procurava arrumar um trabalho qualquer, para começar minha vida profissional. O problema era que nesta época de servir o exército, ninguém te emprega. Então, passei alguns meses rabiscando e pensando no que fazer, mas ainda não pensava em ser um desenhista profissional.

Naquela época eu acompanhava a revista Animax, lançada pela editora Magnum, e em uma das edições eu li sobre a revista do Megaman, onde dizia que qualquer pessoa, com um mínimo de talento, poderia participar. Mesmo inseguro, eu juntei alguns desenhos e os enviei sem compromisso para o editor da revista na época, Sergio Peixoto.

E um dia o Peixoto me ligou convidando para conhecer a redação. A partir daí, eu passei a levar a sério a possibilidade de me tornar um profissional.


HQM: Seu primeiro trabalho foi esse, na edição #12 de Novas Aventuras de Megaman, certo? Logo em seguida, você trabalhou nas minisséries de Victory, pela extinta Trama/Talismã? Como se deram os convites?
Eduardo:
A convite do Peixoto, eu fiz uma parte da edição 12 e, como me disseram que seria o último número da revista, quis dividir com o meu grande amigo Rafael Picard. Parece-me que depois estenderam a série ate a edição #16.

Então se seguiram testes para fazer uma minissérie dos Darkstalkers, Samurai Spirits e Mortal Kombat 4. Embora eu tenha sido aprovado para todos estes projetos, no final acabei apenas fazendo o MK4. Em seguida, o Marcelo Cassaro me convidou para desenhar as minisséries de Victory.


HQM: Victory também foi publicada nos Estados Unidos pela Image Comics. Você sabe como foi a repercussão por lá? A primeira edição ficou entre os 300 quadrinhos mais vendidos, certo? A sequência também foi publicada pela Image?
Eduardo:
Eu não cheguei a acompanhar a repercussão lá fora passo a passo. Eu me lembro de ter lido algumas criticas e elogios, feitos na mesma proporção. No mais, eu fiquei sabendo pelo site Newsarama e pela tabela de vendas da Diamond, que a edição #1 chegou entre os primeiros 300 comics mais vendidos no país, e ficou com a 129ª colocação. Pela Image a gente publicou somente a primeira minissérie, em quatro partes.


HQM: Além de Mortal Kombat 4, Victory, Victory 2 e Victory Contra-Ataca, você fez mais algum material para o mercado nacional?
Eduardo:
Sim, por exemplo, eu publiquei diversos trabalhos na Dragão Brasil, quando o Marcelo Cassaro era o editor. E também participei de diversas outras revistas sobre Animes, além de ter feito ilustrações publicitárias por um tempo.


HQM: Victory Contra-Ataca foi a versão brasileira de Victory lançada pela Image? Você lembra o que mudou de uma versão para outra? Ela foi toda redesenhada e teve mudanças no roteiro também?
Eduardo:
Sim! Quando recebemos a aprovação do Jim Valentino (editor-chefe da Image na época), imediatamente decidi por refazer toda a arte da revista, do desenho às cores. Encomendei ao Roger Cruz quatro capas variantes, e também pedi ao André Vazzios que participasse fazendo a nova colorização. O roteiro teve que ser adaptado a tudo isso, e também acrescentamos cenas e páginas novas.


HQM: Você ainda tem projetos com o Marcelo Cassaro? Do que se trata o Projeto A.Y.L.A.?
Eduardo:
A.Y.L.A. foi uma parceria após Victory, previsto para ser uma minissérie de seis edições, no formato americano e em cores. O Cassaro havia retomado o cenário de ficção-científica que começou em 95 com o romance "Espada da Galáxia".

A história acontece em um futuro não muito distante, onde os habitantes da Terra já sabem da existência de raças alienígenas, como os metalianos e traktorianos. O contato cultural entre os povos influenciou e muito a tecnologia da Terra, que está bastante avançada. Susan Calvin é uma das protagonistas da série. Ela trabalha em uma empresa de tecnologia chamada Xenocorp que está trabalhando no desenvolvimento de um andróide de batalha chamado Ayla, que será usado na luta contra os alienígenas. Outro personagem que tem uma participação na minissérie é o Capitão Ninja, personagem de criação do Cassaro.

Antes mesmo de a série ficar pronta, já havia interesse de duas grandes editoras brasileiras em publicá-la. Demorei muito tempo para concluí-la, porque como já tinha outros trabalhos em andamento, eu só podia desenhá-la nas horas vagas. Eu consegui concluir o projeto há cerca de um ano e meio, fechando em cerca de 180 páginas.

Neste meio tempo, o meu amigo e atual chefe jordano, Suleiman Bahkit, interessou-se pelo titulo e em 2007 comprou A.Y.L.A. para o seu estúdio Aranim Media Factory (www.aranim.com). Desde então, cabe apenas a ele idealizar o lançamento ou decidir se publicará em outros países.

Eu quero e vou tentar consentimento para publicar por aqui. Vamos ver no que dá!


HQM: Nos EUA, você também trabalhou em Assassin School para a AP Comics. Do que se trata? Essa minissérie foi criada para o mercado norte-americano e europeu? Como foi fazer esse trabalho? Parece que teve certo sucesso, pois foi lançado também um volume 2. Por que você não participou desta sequência?
Eduardo:
Essa minissérie foi para o mercado europeu, publicado na Inglaterra pela AP Comics. Na época da publicação de Victory nos EUA, eu também estava trabalhando em outros projetos, e Assassin School era um deles.

Eu havia feito uma pequena participação de 4 a 6 páginas em uma revista chamada Monster Club desta editora. E, segundo os editores, a resposta que eles obtiveram dos fãs e varejistas foi realmente surpreendente. Então eles me contrataram para esta nova minissérie.

Basicamente a revista contava o cotidiano e as aventuras de uma garota desengonçada, aspirante de uma escola militar, onde era treinada para se tornar uma espécie de James Bond.

Não concluímos a primeira série devido ao mau-entendimento entre o meu ex-agente e o editor Richard Emms. Então decidimos parar por ai. Sinceramente, até hoje não sei o que aconteceu entre eles. Só sei que eu segui em frente, e sozinho.


HQM: Você também desenhou as duas primeiras edições da minissérie Nick Fury´s Howling Commandos, em parceria com Keith Giffen, para a Marvel. Como foi trabalhar com Giffen? O que achou deste trabalho?
Eduardo:
Foi tranquilo trabalhar com o Keith Giffen. Ele não exigia nada e sempre deixava suas ideias em aberto para que a gente discutisse. De cara, eu só não me adaptei muito bem à política de produção da Marvel. Eu me lembro de pedir muitas e muitas vezes ao editor para me deixar arte-finalizar aquela série, mas levei tanto "não" que desanimei. E, para arrematar, o Joe Prado, o meu agente na época, me convenceu a abrir mão. Então tratei apenas do lápis.

Na excitação e pressa para entregar a revista dentro dos prazos curtos, eu cometi um erro grave que foi o de fazer o lápis para outra pessoa, como se estivesse sendo feito para eu mesmo finalizar. Contando que os demais entenderiam sem problemas o que estava acontecendo, deixei muita coisa para as etapas da arte-final e cores resolverem, e detalhei a arte abusivamente, porque pensei que alguém separaria os planos, definiria o peso de linhas, excluiria traços em excesso... Deixei as sobras dos layouts muito marcadas, e também fiz um lápis solto demais.

Enfim, tudo isso resultou em um trabalho muito ruim. Eu deveria ter considerado e me adaptado ao estilo dos demais colaboradores (arte-final e cores) envolvidos. Bom, lição aprendida.


HQM: Você também esteve envolvido em Warlands: Malagen´s Campaign, para a Dreamwave? Como foi?
Eduardo:
Trabalhar com os Dabel Brothers (responsáveis pelo projeto) foi a minha pior experiência. Para o meu azar, eles me contataram logo quando estreei no mercado americano, e nesta fase você está vulnerável a qualquer charlatão e oportunista de plantão, porque é uma fase que você está aprendendo a exercer a profissão, não conhece ninguém, não conhece os seus direitos, e então usam e abusam dos novatos.

De certa forma eu estava à vontade desenhando aquele projeto, porque eu já estava acostumado com o gênero de “capa e espada”. Eu caprichava nos pôsteres, capas e páginas, o máximo que podia, e me dedicava o dia todo. Eu tinha até um colorista bom! Depois de três edições prontas, e vários pôsteres e capas para divulgação, o projeto foi engavetado. E eu não fui pago por nenhuma edição, e nenhuma ilustração.

De uma hora para outra, os Dabels começaram a ter problemas com todo mundo que eles tinham parceria: a velha Dreamwave Productions do Pat Lee, a Devil´s Due Publishing, a Marvel, e uma enxurrada de outras mais. Partindo desse principio, dá para se imaginar tamanha a incompetência do estúdio. O problema era que os Dabels contavam com estas parcerias para bancar os seus projetos, e por isso estavam sempre falidos, e prejudicando todas as pessoas que colaboravam com eles, inclusive eu. Foi uma experiência muito ruim. Um período podre da minha carreira.


HQM: E como foi o convite para trabalhar com David Wohl? Ele quem o convidou para fazer a minissérie Executive Assistant: Iris, pela Aspen? Como está sendo o trabalho?
Eduardo:
O David viu o meu trabalho em 2007, e pela primeira vez entrou em contato comigo para saber se eu estava disponível para o projeto, mas naquele ano eu não estava. Em 2008, ele entrou em contato novamente, e eu também não estava disponível, mas considerando os deadlines (os prazos) que ele me deu desta vez, que são de certa forma extensos, então desta vez eu topei.

A história de Íris é baseada em fatos reais. O amigo de Wohl, Brad Foxhoven, ouvira a respeito de um conceito real da vida de Assistentes Executivas na China, e depois descobriu uma série de artigos publicados que foram escritos sobre o assunto.

Os artigos geralmente giravam em torno de um tipo de escola que recrutavam à força garotas muito jovens. Ali, elas eram treinadas para se formar em todo tipo de arte e etiqueta, desde lutas marciais à colocação impecável de uma mesa de chá. Depois da graduação, essas meninas, agora mulheres, seriam contratadas por empresários para trabalhar como suas assistentes pessoais e guarda-costas.

É uma historia e tanto, e inacreditável, mas realmente aconteceu. Então foi questão de tempo até que o Wohl pegasse a ideia e a transformasse em uma série.


HQM: Você fez outros trabalhos para a Marvel? DC, Image e Dark Horse também publicaram algum outro trabalho seu?
Eduardo:
Não. O Joe Prado havia comentado que havia outros trabalhos por vir pela Marvel, e que poderíamos ir para a DC a qualquer momento. Mas, assim que terminei Howling Commandos, eu recebi um convite direto do Suleiman Bahkit da Aranim, e para mim foi uma oportunidade e tanto para descansar daquilo tudo, para por as ideias em ordem, e então topei na mesma hora.

Por isso me afastei do mercado americano já faz três anos. Devo retornar agora com Executive Assistant: Iris.


HQM: Como é o trabalho no estúdio multimídia na Jordânia? Você trabalha lá ou envia seus trabalhos do Brasil para o estúdio?
Eduardo:
Fui contrato para trabalhar até 2010 em tempo integral no estúdio, onde estou desde 2006, e adoro. Tenho um ótimo salário, condições de trabalho convenientes que, além de tudo, me permitem trabalhar em qualquer mercado como extra, se quiser. Nesta empresa, eu presto serviço como artista sênior e consultor criativo. Isso quer dizer que desenho a maioria dos álbuns, pôsteres e capas do estúdio, além de revisar os trabalhos dos colaboradores, juntamente com o Suleiman.

O método de trabalho na Aranim se dá da seguinte maneira: o Suleiman escolhe ou cria um conceito baseado nas histórias épicas ou contos da mitologia árabe. A seguir, ele entra em contato com o roteirista Marcelo Cassaro, que desenvolve o conceito em forma de história em quadrinhos.

Depois do processo das letras estar devidamente revisado e em comum acordo, chega a minha etapa do trabalho: com o roteiro em mãos, geralmente planejo a página em um esboço de tamanho bem pequeno (thumbnails). Eu gosto de fazer assim porque este tamanho permite visualizar todo o layout em uma batida de olhos e me poupa tempo nas correções. Depois eu os escaneio, envio para o editor e, depois de aprovado, eu faço o lápis e a arte-final de cada página, que depois, finalmente, hospedo o arquivo em alta resolução para impressão no folder da empresa, onde são armazenados os arquivos. Todo esse trabalho é feito da minha casa, em São Paulo.

Eu particularmente, me identifico com o conceito de super-herói do Oriente mais do que os heróis ocidentais. No Oriente, os personagens dos contos, na sua grande maioria, são pessoas comuns, que apresentam fraquezas humanas, que no dia a dia tentam superá-las e isso os aproximam das pessoas.

Além disso, as culturas orientais são marcadas pelo misticismo, mitologia, o que eu adoro. Então esta proposta caiu-me como uma luva!


HQM: Quais os seus próximos projetos? Existe mais algum projeto autoral?
Eduardo:
No momento eu procuro cumprir todos estes em andamento. Sempre há convites para novos trabalhos nos EUA, mas jurei que nunca mais faço algo na empolgação, sem pensar duas vezes. Projeto pessoal a gente sempre tem, mas projetos autorais são sempre feitos nas horas vagas. Eu gostaria de publicar novamente por aqui.


HQM: Gostaria de deixar um recado para seus fãs e para quem está começando agora como artista?
Eduardo:
Sim, eu gostaria de dizer que qualquer pessoa que leva os seus objetivos a sério, consegue concretizá-los.

Não importa de onde você veio ou onde mora, você pode competir com qualquer um. Todos os dias há 100 pessoas batendo às portas das editoras, mas pode ter certeza de que destas 100, apenas 3 têm qualificação para entrar. Os demais não levam isso a sério. Estão ali por oportunismo.

Todos os dias, não deixe de trabalhar duro. Continue desenhando, continue escrevendo. Sempre que tiver oportunidade, converse com profissionais da área. Isso ajudará você a melhorar os seus pontos fracos. Ter talento apenas não basta. Você precisa ter vocação. Sem isso você não aguenta.

E a minha dica aos iniciantes seria esta: esteja sempre disposto ao profissionalismo.

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